Como é viver e trabalhar nos EUA?

*Este post não constitui conselho em imigração. É um post pra compartilhar a experiência de alguém que saiu do Brasil e foi morar nos EUA. Caso você queira conselho de um profissional, preencha o formulário ao final do post. E este post só foi possível pela colaboração de um grande amigo que cedeu o tempo livre dele para compartilhar a experiência dele com vocês.
**Por motivos de privacidade, o entrevistado me pediu para usarmos um pseudônimo

A ideia aqui é mostrar como pessoas diferentes possuem visões diferentes e reagem diferentemente aos desafios de se morar longe de casa. Muitas vezes, o que mostramos no Instagram e noutras redes sociais é a parte boa e tendemos a “deixar pra lá” os perrengues – grandes ou pequenos. Problemas com imigração, dias, semanas ou até meses de espera pelo visto. Choque de cultura com relação à limpeza de casa, comida, produtos nas prateleiras dos mercados. Entre muitas outras coisas.

Certo, mas como que o inglês entra nessa, teacher? Bem, sendo inglês a língua internacional dos business, tenho pra mim que seja indispensável saber, ao menos, se comunicar em inglês pra não passar dificuldades fora da nossa zona de conforto e de língua portuguesa! =)

No post de hoje, ficamos com o relato de Bill**, que teve duas passagens pelos EUA – uma entre 2015-2016 e outra desde 2020 até hoje. Atualmente na área de gerenciamento de produtos, Bill nos conta como foi o processo de imigração e de migração de carreira.

Deixo aqui, então, o relato na íntegra – com alguns links que eu adicionei também. Boa leitura!

Por que você escolheu os EUA?

Foram duas imigrações diferentes para os EUA, a primeira não foi uma escolha minha mas sim, uma proposta feita pelo meu empregador da época para gerenciar um programa por um período pré-determinado de dois anos através de um visto L1-A e o segundo, e atual, uma mudança permanente em um “trade off between” levar minha atual esposa americana para ser fisioterapeuta, fazer o processo de validação de diploma e aprender inglês pro Brasil ou me mudar novamente aos EUA já com fluência na língua e experiência de trabalho como engenheiro na área gerencial sem necessidade de validação de diploma.

Quando se mudou?

2015-2016
2020-presente

Quais os maiores desafios na época?

2015 – Fazer todo o processo de imigração e mudança que começa no Brasil uns 6 meses antes enquanto você já está nomeado como responsável pelo novo programa e uma boa carga de responsabilidades além de, e claro, iniciar um novo círculo social sozinho em um ambiente totalmente diferente e deixar a família pra trás, felizmente foi uma boa proposta que sempre me cobriu financeiramente para voltar com frequência para o Brasil neste período.
2020 – O green card foi impactado devido à pandemia não conseguindo o “employment authorization” e “advanced parole”, que autoriza o imigrante enquanto espera a conclusão do processo a trabalhar temporariamente e ser condicionalmente autorizado a entrar no país em caso de viagem ao exterior, por mais de um ano não sendo possível visitar os familiares nesse período e, logicamente, a trabalhar. Novos círculos sociais também são sempre desafiadores, especialmente se você vive na “Curitiba” americana que possui até um termo oficial pra descrever a frieza dos locais: Seattle Freeze.

A língua era um problema? Como você achava que seu nível de inglês estava?

Por trabalhar em uma empresa multinacional e sendo responsável por programas internacionais já possuía uma certa “fluência” profissional mas ainda com muitas falhas de pronúncia (uso do f no lugar to th, preposições incorretas, fonetizando todas as palavras e.g “linkedin”) e algumas dificuldades em conversas sociais devido a ruído do ambiente, diferentes sotaques ou padrões de entendimento pré-condicionados.
Um professor pago pela empresa, que no meu ápice do efeito Dunning-Kruger, fazia eu pensar não ser necessário, foi de uma ajuda gigantesca para me mostrar as falhas e áreas de melhoria para um melhor vocabulário, maneirismos locais e fluência.

A trajetória até conseguir o emprego atual, na sua área (de escolha), foi cheia de altos e baixos? Poderia dar alguns exemplos?

Como mencionado anteriormente, o processo para conseguir o employment authorization se atrasou por motivos externos, neste caso a pandemia, sem possibilidade de fazer nada para resolução, além disso, na época com o Trumpismo definindo as políticas de imigração, estava em voga o Executive Order que determinava que o imigrante precisava provar que eu não seria um “public charge” aumentando em muito a documentação, custos e requisitos mínimos necessários para aplicação do green card e, por último, alguns erros processuais de logística por parte da USCIS não providenciando informações por canais digitais e enviando cartas a endereços errados apesar de já ter protocolado e recebido a confirmação de mudança de endereço nos sistemas.
Finalizado o processo, começaria a parte mais complicada, o processo de aplicação pra trabalhar e as entrevistas. Primeiramente decidi que mudaria de área de atuação da automobilística em gerenciamento de programas para as big techs em gerenciamento de produtos. Comecei, portanto, a ajustar o perfil do LinkedIn para refletir os requisitos necessários das minhas qualidades que atendiam as expectativas, foram mais de centenas de aplicações com aproximadamente 96% delas não tendo respostas ou email automático de rejeição, das que eu recebia ligações de “screening”, cerca de metade não passava desta fase, falhando em mais ou menos 9 de 10 loops de entrevistas até finalmente receber uma oferta.

Como foi a primeira semana ou primeiro mês trabalhando nos EUA? Fora da sua área? Ou como foi a adaptação no mercado americano?

Durante minha primeira mudança, por ser pela mesma empresa e ter responsabilidades parecidas com o meu então trabalho, a única diferença era o local de trabalho entretanto, atualmente, (março de 2022) são 8 meses que estou trabalhando em uma área nova apesar de ser engenharia é uma área de conhecimento completamente nova. Ainda estou em processo de “onboarding” e de acordo com os outros colaboradores são pelo menos 12 meses até você de fato entender o que está acontecendo, mas, culturalmente falando, sempre sugiro a estar aberto e entender diferentes costumes que talvez você “take for granted” mas que são simplesmente naturais para pessoas de outras nacionalidades, lembrando, principalmente, que os Estados Unidos possuem a maior quantidade absoluta de imigrantes no mundo das mais diversas nacionalidades.

E como foi quando começou a atuar na área? Quais foram os desafios encontrados?

Novos e infinitos jargões e acrônimos, estratégia totalmente diferente de desenvolvimento de produtos, empresa que teve um crescimento exponencial em curto espaço de tempo dando espaço para falta de processos, ser de outra área técnica e ter que apresentar ideias sobre algo que não tenho domínios são grandes desafios.

Há quanto tempo atua na área em que está?

10 anos como Program Manager e 8 meses como Product Manager

O que mudou do início até agora?

As conversas começam a fazer sentido, algumas ideias começam também a serem aceitas tendo um maior poder de influência, o networking começa a engatinhar e um aumento de exposição com a liderança sênior da organização também começou a ser criada.

Quais outras impressões que esse processo deixou em você e que você acha relevante pra compartilhar com outras pessoas?

Para cada processo um “insight”:
Minha primeira expatriação surgiu através de um vice-presidente alemão que, em uma conversa de corredor com o meu futuro diretor sugeriu que seria uma boa ideia me oferecer a oportunidade, portanto, deixe seus objetivos claros com todos ao seu redor e novos contatos, oportunidades podem sempre surgir dos lugares mais inesperados. Não tenha receio também de marcar 1:1 para informação, na era da “egogratificação” a maioria das pessoas estão dispostas a falar sobre suas vitórias.
Em segundo, defina o que você quer com clareza no longo prazo e monte um plano com pequenos passos e objetivos no curto prazo. No meu caso, quebrando em pedaços as etapas pelas quais seriam necessárias para um cargo de senior product manager foi da seguinte maneira:
Primeiro, preciso receber o máximo possível os contatos dos recrutadores, em segundo, passar pelo “screening” dos recrutadores e dos gerentes das vagas, em terceiro, passar pelo loop de entrevistas e, por último, entender o processo de negociação da oferta. Para a primeira etapa, fazia o ajuste constante do perfil do LinkedIn conforme recrutadores procuravam e que batia com minhas qualificações, foram várias iterações. Pro screening, entender o que geralmente é perguntado, como vender sua imagem e resultados e quase sempre rejeitar responder a pretensão salarial, para o loop de entrevistas, entender como funcionam os processos das big techs para product manager que, assim como um vestibular, você consegue descobrir a proporção dos tipos de perguntas e se preparar para as mais relevantes e, então, focar seus estudos na área específica. Eu mantive uma lista de respostas prontas em modelo STAR/PAR, foquei em “frameworks” de design de produtos e de estimação, por exemplo e, por último, como negociar sua “offer” pois, pode esperar, que sempre vão te mandar o piso.
Este foi um exemplo para meu caso, mas poderia ser feito para qualquer outro objetivo final: Quero ser astronauta da NASA: em um exemplo bem rústico, seria desenhar qual trajetória te daria as maiores probabilidades pra chegar lá: Um curso de engenharia aeronáutica, virar piloto de aeronaves, aprender inglês fluente, fazer um dos cursos já nos EUA para aumentar as chances através de um visto de estudo, se alistar para virar piloto, entender os requisitos e começar a treinar o físico também e assim por diante. Não há garantias, mas pelo menos um plano com pequenas vitórias para tentar chegar ao objetivo final.

Bill

CA-RA-CAS!
Não sei vocês, mas eu fiquei arrepiado de ler esse depoimento!
Quanta informação de qualidade e quantos insights úteis. Pra mim, vejo que sair do Brasil já com inglês “sólido” foi decisivo no caso de Bill mas, mesmo assim, veio a necessidade de ter um professor particular pra “lapidar” a qualidade da língua falada. É o que eu sempre falo para os meus alunos: O inglês de vocês já é bom. Num ambiente internacional, você vai ter um chefe alemão, um colega francês, outro colombiano e a comunicação flui muito bem. O desafio maior são as iterações com os nativos – aí, os ruídos na comunicação são outros.

Quero agradecer, mais uma vez, a disponibilidade do autor do texto por compartilhar conosco essa aventura que se chama “imigrar”!

Caso queira falar com profissionais qualificados sobre o processo de imigração, complete o formulário abaixo e eu vou “dar os meus pulos” pra encontrar o profissional mais indicado pra você.

Espero que tenha gostado da leitura de hoje e não se esqueçam de se inscreverem no blog para não perder os próximos posts. Deixe seu comentário e compartilhe com os amigos nosso conteúdo. É de graça! =)

See you next time
Cheers!
Teacher Rod

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