Brasileiro morando na Irlanda manda a real sobre intercâmbio!

G’day, top students!!!

*Este post não constitui conselho em imigração. É um post pra compartilhar a experiência de alguém que saiu do Brasil e foi morar na Irlanda. Caso você queira conselho de um profissional, preencha o formulário ao final do post. E este post só foi possível pela colaboração de um grande amigo que cedeu o tempo livre dele para compartilhar a experiência dele com vocês.
**Por motivos de privacidade, o entrevistado me pediu para usarmos um pseudônimo

A ideia aqui é mostrar como pessoas diferentes possuem visões diferentes e reagem diferentemente aos desafios de se morar longe de casa. Muitas vezes, o que mostramos no Instagram e noutras redes sociais é a parte boa e tendemos a “deixar pra lá” os perrengues – grandes ou pequenos. Problemas com imigração, dias, semanas ou até meses de espera pelo visto. Choque de cultura com relação à limpeza de casa, comida, produtos nas prateleiras dos mercados. Entre muitas outras coisas.

Certo, mas como que o inglês entra nessa, teacher? Bem, sendo inglês a língua internacional dos business, tenho pra mim que seja indispensável saber, ao menos, se comunicar em inglês pra não passar dificuldades fora da nossa zona de conforto e de língua portuguesa! =)

No post de hoje, ficamos com o relato de Asdrúbal**, que teve saiu do Brasil ainda um menino, jovem de tudo e mora na Irlanda até hoje. Atualmente na área de tecnologia, Asdrúbal nos conta como foi o processo de imigração e de migração de carreira. E manda A REAL sobre fazer intercâmbio!

Segue o relato na íntegra – com algumas adições minhas (links e explicações). Boa leitura!

Por que tantos brasileiros escolhem a Irlanda?

A Irlanda tem algumas características que a tornam um destino bastante cobiçado por brasileiros que querem estudar inglês e se aventurar mundo afora. Dentre esses fatores, incluem-se a boa localização para viagens internacionais, segurança, altos salários e uma cultura bastante cosmopolita, com gente de todos os cantos.

Mas, a bem da verdade, um dos fatores que mais atraem os brasileiros para o país é o visto para estudantes, que é talvez o mais vantajoso dentre as nações de língua inglesa. Ao contrário do que acontece em países como o Reino Unido, na Irlanda o visto de estudante permite tanto estudar (obviamente) quanto trabalhar. Há algumas limitações no tempo de trabalho, entretanto. O visto é válido por 8 meses, podendo o estudante trabalhar em período integral por 2 meses e meio-período por 6 – nessa época, espera-se que a pessoa esteja fazendo um curso. Esse visto pode ser renovado 3 vezes, podendo o intercambista passar um total de 2 anos no país.

Saiba que existem também outros vistos que englobam coisas diferentes, como cursos de ensino superior, profissões com alta demanda etc.

Existe ainda o caso de vários brasileiros, como eu, que possuem nacionalidade de um país-membro da União Europeia – o que é uma baita mão-na-roda, já que te permite morar, trabalhar e estudar na Irlanda por tempo indeterminado.

Ainda assim, espere algumas dificuldades em conseguir coisas que parecem básicas, como um comprovante de residência, necessário para abrir conta em banco e tirar o número do seguro social (PPS), que são essenciais para trabalhar no país.

Por que você escolheu a Irlanda?

Sempre tive um certo fascínio pelas ilhas britânicas, incluindo-se aí a Irlanda. A ideia de uma ilha no Atlântico, coberta por névoa e circundada por despenhadeiros sempre me atraiu bastante. Fora isso, eu adorava U2, um dos “produtos” culturais mais famosos do país – saiba, entretanto, que muita gente aqui absolutamente detesta o Bono.

A Irlanda também possui um dos 5 maiores IDHs do mundo, o que é algo bastante atraente. Tenha em mente, no entanto, que apesar de tudo ainda existem problemas, como em qualquer país.

Uma amostra de como o Bono é odiado na Irlanda =)

Quais foram os seus maiores desafios?

Eu tive algumas vantagens quando me mudei. Eu já falava inglês, eu não precisei de visto e conhecia algumas pessoas aqui, então isso facilitou a minha vida – e muito.

Porém, me mudar para outro país e não ter aquela segurança de ter a família por perto foi uma experiência meio assustadora. Eu me mudei sozinho, e lembro de ficar pensando no avião se eu estava de fato preparado. Arranjar emprego em si não foi muito difícil, já que a Irlanda estava praticamente 100% recuperada da crise econômica de 2008. Mas achar um emprego na minha área foi outra história. Eu trabalhava com comunicação no Brasil, que não é um trampo tão fácil de se fazer em um idioma diferente da sua língua materna.

Outro problema é não ter nenhuma experiência no mercado irlandês, o que te deixa meio para trás em relação a outros candidatos. Não ter experiência local te dificulta nos momentos que você menos espera – como, por exemplo, quando pedem referência do seu antigo empregador na hora de assinar um contrato.

Também saiba que a situação da moradia no país é bem ruim, particularmente na capital Dublin, onde o preço dos aluguéis pode ser bastante abusivo e a concorrência é acirrada.

Print do site https://salaryaftertax.com/blog/cost-of-living-in-dublin

Como é trabalhar na Irlanda?

O salário-mínimo irlandês figura entre os mais altos do mundo. Ele é calculado por hora, e atualmente é 10.50 euros. Outra vantagem daqui em relação ao Brasil é que a semana de trabalho é de 40 horas (no nosso país são 44), e você está praticamente garantido a tirar pelo menos duas folgas na semana.

Os ambientes de trabalho por onde passei foram bastante variados. Tive chefes inspiradores, tive chefes ruins. Mesmo falando inglês bem, me faltavam algumas expressões básicas. Por exemplo, como falar holerite? Como saber o nome de todas as documentações necessárias? Como escrever um e-mail profissional que não pareça uma tradução malfeita do Google? Esse tipo de coisa você muitas vezes não aprende na sala de aula, então precisa da prática para aprender a se virar.

Uma coisa que sempre adorei em relação ao trabalho por aqui é a diversidade de nacionalidades. Você faz amigos de tudo quanto é país – inclusive irlandeses e brasileiros. Dá pra aprender coisas novas, mas também dá pra ver como as pessoas são parecidas no mundo todo.

Eu tive alguns trabalhos mal remunerados nos primeiros anos, o que é um problema dado o preço elevado de muitas coisas, como acomodação. Mas, ganhando experiência para colocar no CV e fazendo networking, foi possível buscar cargos mais desejáveis. Hoje em dia trabalho numa empresa de tecnologia, e a carreira em comunicação ficou meio de lado. Mas gosto do que faço, e particularmente gosto da sensação de poder balancear a vida com o emprego, fazer viagens ao exterior que são acessíveis, e viver uma vida menos acelerada.

Quais dicas você tem para quem quer ir pro exterior?

Eu já ouvi de muitos estrangeiros que os brasileiros têm uma ótima atitude em relação ao trabalho, e é bem comum ver brasileiros empregados em tudo quanto é área na Irlanda. O que mais pega na hora de achar emprego, para muitos brasileiros, é a falta do inglês fluente e a dificuldade em conseguir visto que permita trabalhar em tempo integral.

Por isso, acho que é importante tentar chegar ao país com um nível pelo menos intermediário do idioma. Isso facilita muito a sua vida, e te permite aprimorar o inglês com bem mais facilidade.

Também vou dar uma opinião que vai meio contra o propósito deste texto. Não acho que ir para o exterior seja essencial para aprender um idioma. Há muitas maneiras de se aprender de casa – a internet está aí para isso. Eu vejo muita gente indo para o estrangeiro achando que é algo essencial no estudo de uma língua e que não tem como aprender sem passar por isso. Balela. A postura correta, a meu ver, é ir para um intercâmbio buscando novidades, aprendizados pessoais e profissionais, e experiências singulares. Intercâmbio pode ser muito custoso, então pense com carinho sobre o que você quer ganhar com essa experiência. Talvez seja só passar um tempo fora, talvez seja aprender algo novo, talvez seja vir pra ficar. Há muitas possibilidades. Então se planeje direitinho e boa sorte!

Asdrúbal

Excelente, meu caro Asdrúbal! Antes de sair por aí investindo todas suas economias no sonho de fazer intercâmbio, vale MUITO a pena PENSAR com MUITO carinho antes!
Vale, também, procurar todas as ferramentas online e offline pra aprimorar o inglês ANTES de fazer o intercâmbio. Não que seja necessário ter inglês 100%, mas que seja bom o suficiente para se comunicar e poder aproveitar todas as experiências durante o intercâmbio!
E me parece, também, que muita gente procura por um estilo de vida menos acelerado, com direito à folgas (mais do que um dia) semanais. Interessante saber que a Irlanda e a Nova Zelândia são parecidas nesse quesito.

Quero agradecer, mais uma vez, a disponibilidade do autor do texto por compartilhar conosco essa aventura que se chama “imigrar”!

Caso queira falar com profissionais qualificados sobre o processo de imigração, complete o formulário abaixo e eu vou “dar os meus pulos” pra encontrar o profissional mais indicado pra você.

Espero que tenha gostado da leitura de hoje e não se esqueçam de se inscreverem no blog para não perder os próximos posts. Deixe seu comentário e compartilhe com os amigos nosso conteúdo. É de graça! =)

See you next time
Cheers!
Teacher Rod

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